Você ou alguém como você, 17 anos depois

Provavelmente são poucos os que se lembram, mas Matchbox Twenty um dia foi Matchbox 20. A diferença, atualmente, pode parecer irrelevante, mas lá pelo ano 2000 foi um golpe decisivo para a banda nascida em Orlando, Flórida.

Com o segundo álbum prestes a ser lançado, o que antes era número passou a ser um cardinal escrito por extenso. O grupo, formado pelos membros dissidentes da banda Tabitha’s Secret, ganhou fama internacional e sentiu que precisava de um novo nome e uma nova atitude.

Na prática, o nome não fez diferença para os fãs e seu novo disco, “Mad Season”, repetiu parte do sucesso de “Yourself or Someone Like You”, emplacando seis singles e atingindo o terceiro lugar da Billboard na semana do seu lançamento.

A meta era ser uma banda nova, mas preservar o sucesso da empreitada anterior, que é o que de fato interessa a esse artigo. “Yourself or Someone Like You” foi lançado oficialmente em 1996, um ano após a formação oficial da banda. O disco, que mescla rock alternativo e o gênero conhecido como post-grunge, surgiu enquanto o grunge ainda gozava de razoável influência na música noventista.

Como é que esse trabalho seminal (menos, menos, ok), se relacionou com nossas vidas e ainda reverbera no repertório dos nossos discos favoritos?

Tiramos uma hora para reescutar o debut do Matchbox Twenty, faixa a faixa.

Real World
Luciana: Acho sempre estranho pensar que “YOSLY” vendeu 10+ milhões de discos. Não conhecia ninguém que estava tipo “Nossa, mal posso esperar pelo próximo disco do M20.” Alguns amigos conheciam “Push” ou “3AM”, mas “Real World” era uma música que não existia (embora tivesse vídeo e tudo).

Denis: Conheci “YOSLY” justamente pelo chamado “clipe do camelo na pista de boliche”. M20 não era uma banda a quem pessoas se referiam no dia a dia. Ela parecia apenas ocupar um lugar no Disk MTV até que algo melhor surgisse, ou que o Metallica decidisse lançar mais um single, naquela fase que eles voltaram pela segunda vez.

Luciana: Mas era a época que a MTV tinha o “Top 10 EUA”, e sempre tinha M20. Até esse do cara vestido de garçonete.

Denis: Verdade! “Top 10 EUA”, sempre aos sábados. M20 começou ali.

Luciana: E tinha outras bandas similares daquele vácuo noventista, né. Marcy Playground, Eve 6… “rock genérico americano”. Matchbox era mais… friendly, não? Girl-friendly?

Denis: Candlebox e Bush. Eram as bandas que faziam companhia pra M20, mas eram, por incrível que pareça, mais bem avaliadas porque puxavam mais para o true-grunge. Seja lá o que isso fosse. M20 era rock, mas era pop. Foi a primeira banda que começou a fazer discos de rock para… young adults (?) que não eram nem engajados, nem rebeldes.

Luciana: Era bem comum perguntarem pra eles sobre Backstreet Boys por causa de Orlando (Resposta: “Eles fazem coisas incríveis com cadeiras”.). Era a mesma época. Acho que a parte que eu mais lembro da letra é “I’d store it in boxes with little yellow tags in every one”, mas porque eu ouvi errado nas primeiras vezes. Para mim, era uma coisa menos it e mais pessoal. Tipo eu mesma dividida em pedacinhos em milhares de caixinhas etiquetadas. A outra parte, sobre o mundo real incomodando, ainda não acontecia.

Denis: “Real World” não foi o primeiro single, foi o quarto. Fato esse que eu só descobri pesquisando. Apesar disso, foi o clipe que deu a cara que a banda ia ter em todos os outros lançamentos. Clipe semi-piada, semi-pretensão. Foi a música que levou eles para a TV nos EUA, fora do circuito MTV. Lembro do Rob Thomas no Letterman cantando “Real World”. Ok, gerou algum impacto isso.

Long Day

Denis: “Long Day”, esse sim, foi o primeiro single.

Luciana: SÉRIO???

Denis: Estranho, né? “Long Day” não é uma música fácil, e por isso mesmo eu tinha orgulho de saber a letra de cor numa época em que não existia “All Lyrics” ou etc. Gravei pegando o encarte do disco e lendo.

Luciana: Mas era difícil mesmo com as letras, depois de “You’re so… setinlifeman”, sabe?

Denis: É uma música raivosinha. E acho que, por um bom tempo, foi minha favorita do disco.

Luciana: Fica muito no começo do disco pra ser minha favorita. Eu sempre acabo repetindo alguma das últimas.

Denis: Fato curioso sobre “Long Day” é que ela foi meio que o maior dos fiascos do M20. Não rolava nas rádios pop nos EUA (que era o plano original da Atlantic), mas fez sucesso nas rádios de rock, ao lado do true-grunge, lá vem ele de novo.

Luciana: É uma que eu só fui ouvir porque tinha o disco, e só tinha o disco por causa de “Push” e “3AM”.

3AM

Luciana: Era essa que era sobre a mãe dele?

Denis: Sim, essa é a mais biográfica das músicas do Rob Thomas. A mãe dele lutou contra o câncer enquanto ele era adolescente e ele guardou a letra para um dia ficar rico em cima da história. Eu não julgo, Rob. Música é sobre experiência, afinal.

Luciana: Estranhas relações, Rob. “She said it’s all gonna end and it might as well be my fault”.

Denis: O clipe de “3AM” sofre da febre de clipes pós 1996: o supermercado. Por alguma razão, toda banda alternativa tinha que lançar pelo menos um clipe com um supermercado como cenário. Garbage fez, Radiohead fez… Era uma espécie de clichê que segmentava a banda como bem sucedida. “Tem clipe no supermercado, é boa”.

Luciana: Mas o supermercado de “3AM” tem aquela fotografia rock genérico americano dos 90s, né. Menos colorido. Pra mim, fica perto de um vídeo que não tem muito a ver tematicamente – “6th Avenue Heartache” (outro “Top 10 EUA”!).

Denis: Wallflowers tem muito a agradecer pelo M20 abrindo caminho para rock alternativo fingindo ser adulto, mas amado por adolescentes confusos que não eram nem tão pop, nem tão rock.

Luciana: E por suas mães, né. Não a minha, mas M20 sempre foi aquela coisa totalmente FM.

Push

Luciana: PRIMEIRA música que eu ouvi do M20. Estava em casa vendo MTV (claro), um dos amigos do meu irmão conhecia “Push” e aí ninguém mudou o canal, né, ficou tocando.

Denis: “Push” foi a música que passou batido por mim. Por alguma razão eu conhecia a música (porque ela tocava muito), mas eu não registrava. Até o dia em que vi o clipe na casa dos meus primos. Uma era fã de Alanis em 1997, o outro ouvia NOFX no quarto. Eu era a única pessoa que não queria mudar o canal.

Luciana: Eu gostava mais de “Push” do que de “3AM” (que acho que fez mais sucesso). Daquelas de escolher versos aleatórios e escrever no caderno quando a aula estava chata/fácil.

Denis: “Push” fez mais sucesso. Acho que foi “o” single do “YOSLY”. Apesar do clipe estranho mostrar o Rob Thomas acorrentado a uma parede… porque todas essas metáforas na cabeça dos diretores de clipe dos anos 1990 e tal…

Luciana: Embora eu achasse esquisitíssimo essa relação de “I wanna push you around”, “I wanna take you for granted”. Até “Push”, todas as músicas falavam para NÃO take anyone for granted.

Denis: Não por acaso, rolou uma treta com grupos feministas por causa dessa música. O Rob teve que explicar que não estava falando sobre abuso de mulheres, mas sobre si mesmo. Ok, a gente aceita (?)

Luciana: Sobre ele mesmo? Oi?

Denis: Ele aparentemente tinha sido “abusado” “emocionalmente” (preciso de muitas aspas) por uma mulher.

Luciana: Acho que ele ou a mulher ter sido o abusado/abusador não faz diferença. É aquela coisa de fronteira confusa entre relacionamento complicado e relacionamento realmente violento/abusivo. Você pode falar que não pode, mas metade das vezes a coisa é fucked up mesmo, pelo menos em algum momento.

Girl like that

Luciana: I mean, Rob Thomas teve algum relacionamento com uma mulher normal?

Denis: “Girl like that” é talvez a música mais amarga do Rob. “Well you got to think with a girl like that any love is better than nothing” Geez, Rob.

Luciana: Mulher totalmente traumatizada. “You think this life would make me colder, I’d give in to the alcohol – I put my loving arms around you, child”.

Denis: Também é uma das primeiras músicas que discute alcoolismo, que era um dos temas chave de um álbum. O que não é dizer pouco porque o clima “pop” das músicas não parece dar essa abertura temática. Mas estão lá, alcoolismo, depressão e raiva contida. Eu espero que o Rob tenha feito terapia…

Luciana: E a música em si não soa nada deprimida nem nada, é quase alegrinha. “She pulls you up, she pulls you up yeah yeah”. Se você ignorar o que ele diz e tal.

Denis: Isso é quase uma definição do disco inteiro. Ele é “quase alegrinho” em vários momentos, mas aí você para para ler o encarte. Usei todo meu conhecimento de verbo “To Be” para entender que eu estava lidando com uma pessoa com problemas.

Luciana: Aquela época em que música tinha encarte… mas meu inglês foi todo ensinado pelo Bon Jovi, Rob. Seus sentimentos eram confusos demais para mim.

Back 2 Good

Denis: Minha música. Simples assim.

Luciana: Essa soa triste. Sua música?

Denis: Eu tava longe de ter relacionamento concretos entre 1997-1998, ano que esse disco parou nas minhas mãos, mas “Back 2 Good” me emprestava toda as emoções que eu precisava para fingir que compreendia essa situação de término de namoro.

Luciana: Isso eu aprendi no disco seguinte, com “Rest Stop”.

Denis: “Rest Stop” é boa, mas “Back 2 Good” era um tapa na cara. É a música mais declaramente depressiva desse disco. Ele não sabe mais “voltar a ficar bem”. Óun, Rob!

Luciana: Uns dois anos antes eu cantava “Back for Good” do Take That. A música que pede perdão, vamos por favor voltar pra sempre.

Denis: “Back 2 Good” foi a 49ª música mais bem posicionada nas 100 do ano (1999) da Billboard. E o quinto single lançado.

Luciana: Eu gostava daquela parte em que o instrumental muda e ele fica mais… something. Não chega a ser raivoso.

Denis: Meu trecho favorito “Well, everyone hides shades of shame…”. É o momento screamo da música. Me fazia bem. Mas passou, passou.

Luciana: Mesmo momento, não?

Denis: Achei que você tava se referindo a última virada. No “it’s best if we all keep this under our heads”

Luciana: Começa no “Everyone here is wondering…” e chega no “shades of shame”, até “we’re all grown now”, e aí acalma.

Denis: Entendi. Então acho que oficialmente preferimos o mesmo trecho da melhor música do álbum. Pronto, falei o que todos estávamos pensando.

Luciana: Mas eu gostava pela mudança, não pelo que ele cantava. Não é a minha preferida.

Damn

Luciana: Bon Jovi tinha uma “Damned” na mesma época. Meu vocabulário de inglês era os meus CDs.

Denis: Tava pensando se todo mundo passou por uma “Damn” eventualmente. Avril teve a sua recentemente. Katy Perry também. LeAnn Rimes “back in the day” e tal.

Luciana: E essa é mais uma mulher complicada do Rob Thomas virando um refrão alegrinho (“there’s nothing at all”).

Denis: “To make her change her mind” finalmente uma virada positiva no finalzinho. Foram 4 mãos que escreveram essa letra, alguém ali era otimista.

Luciana: Mas não é “não tem nada que possa fazê-la mudar de ideia”?

Denis: Ou eu que quis ver o lado positivo. Eu estou me agarrando a algo que não existe. Eu faço isso.

Luciana: Embora perceber que não tem o que fazer seja liberador. Não?

Argue

Denis: “She takes, what she gets, and she never did flinch”. Ok, eu enxergo a leitura de mulheres complicadas que passaram pelo caminho do Rob, mas a gente tem que admitir que essas mulheres tinham personalidade, afinal.

Luciana: A não ser que você leia essa frase como violência doméstica. (Don’t.)

Denis: “Eles se dão bem, por isso não deviam discutir”. Essa é a minha interpretação. Isso é o que eu quero ver. Não tirem isso de mim.

Luciana: Mas dá a entender que eles discutem mesmo assim. “All these feelings cloud up my reasoning”. Sempre achei que isso valesse para todos os sentimentos. Se alguém acha que eu sou cínica agora, não me conheceu adolescente.

Denis: Não achamos você cínica. Mas gostaria de ver qual seria a letra que o Rob Thomas dedicaria a você num eventual término de namoro. Se ele namorasse celebridades, ele podia ter sido a Taylor Swift de 1996.

Luciana: Deviam fazer um livro das mulheres de “YOSLY”. Quais foram internadas, quais ainda estão vivas…

Denis: VH1 Behind The Music de bandeja taí!

Kody

Luciana: Nunca gostei muito dessa. Fora o “I ain’t got no reasons” (apenas essa frase).

Denis: “So please hand me the bottle, I think I’m lonely now”, é meio que poster lyric para Alcóolicos Anônimos. Eu gosto de “Kody”, mas sempre tive vontade de pular essa faixa quando escutava o disco inteiro.

Luciana: Eu entendia “please hand me the bottle” como sentido, mas ainda não era uma frase que eu poderia usar. (Como piada, claro. Não sou alcoólatra, tá.)

Denis: Nunca pensaria isso (Sobre você sendo alcóolatra). Mas sobre “Kody”, acho que é uma música difícil de vender. Setlist.fm me mostra de “Kody” foi tocada apenas 13 vezes nos últimos registros de show. Isso entre 1997 e 2013!1

Luciana: Seria muito downer no show. “I don’t feel nothing, I don’t feel nothing”. Quanta depressão, Rob. “Lonely now, lonely now, hold me now”. Gente. Mas esse último acorde é puro M20.

Busted

Luciana: ADORO.

Denis: O microfone é “especial”. Era um dos grandes mistérios de M20 para mim, na época. O efeito da voz do Rob Thomas. Eram tempos pré-autotune.

Luciana: “Don’t wear my heart on your sleeve like a high school letter”. Eu nem estava no high school.

Denis: Opa, eu tava.

Luciana: 1996/1997. Meus últimos dois anos de escola estadual. Amigos que eu nunca mais veria, mas tudo bem porque eles nem ouviam M20.

Denis: Acho que, apesar do lançamento em 1996, esse disco ficou em campanha até 2000. Ele foi parte do meu colegial integralmente. A princípio, via fita cassete. Depois o CD.

Luciana: “Mad Season” demorou pra sair, mas eu lembro desse disco como uma coisa de oitava série, e não de colégio. Eu comprei esse CD quando eu saía da escola mais cedo quando faltava professor e descia a rua até o shopping. “The people we’ve become, well, they’ve never been the people who we are”. É muito dessa idade.

Denis: Por um lado, “Busted” pode ser considerada a faixa mais “alternativa” e meio sombria (soy darks, Rob) do “YOSLY”. É até meio artsy, se a gente pensar que o pop rock deles é bem básico e não tem quase nenhuma experimentação até hoje. No geral, a música não destoa tematicamente do resto do disco.

Luciana: Sim, tem um pouco daquele BIG SONG que eles fazem de novo em “Mad Season”, em músicas que não são lançadas no rádio.

Denis: Por alguma razão eu gostava do trecho “I dreamed that the world was crumbling down. We sat on my back porch and watched it”. A CW poderia trabalhar uma abertura com essa música, se aberturas com música ainda fossem a thing.

Shame

Denis: Se tem uma frase que poderia amarrar todo esse disco é a primeira de “Shame”: “What we learned here is love tastes bitter when it’s gone”. Ainda assim, “Shame” consegue ser mais ignorada nas apresentações ao vivo do M20 do que “Kody”.

Luciana: Embora musicalmente seja totalmente amigável. Eu gostava bastante de ouvir, nem ficava deprimida depois nem nada. Não sei por que não exploraram mais a música – eu acho ela super catchy. E é fácil também, mais fácil que “Long Day”, por exemplo.

Denis: Admito que é a mais descarada das letras repetindo o mesmo verso e a mesma palavra over-and-over. Não chega a incomodar, mas não é a letra mais perspicaz do álbum.

Luciana: “Never get this, never get this bad….” era o pedaço preferido de letra. Mas Ryan Tedder ficaria orgulhoso de “Shame, shame, shame”. Funciona. Tipo, “Halo”. “Bleeding love”. Etc. Dava um singalong.

Hang

Denis: Na ordem: “Back 2 Good”, “Long Day”, “Real World” e… “Hang”. São as quatro faixas que eu insistia em apertar repeat no antigo aparelho de som que ficava em cima da TV da sala. Naquela época em que pessoas tinham aparelhos de som com capacidade para quatro CDs girando num mesmo prato. Tudo muito moderno.

Luciana: Ouvi muito “Hang”. Falei que sempre me apego às faixas mais no fim do disco, né? Acho que, por não ser single, ela acaba virando mais sua do que “Push” ou “3AM”, por exemplo.

Denis: Seguindo a linha de términos inevitáveis, “Hang” é a que pinta o cenário mais claro de um final de namoro. Não um namoro qualquer, mas uma situação de despedida de duas pessoas que, aparentemente, moravam juntas.

Luciana: Cenário mais claro porque você está em denial com as outras.

Denis: É… sem comentários nessa.

Denis: Sempre achei engraçado que o Rob canta como narrador onisciente, mas essa música funcionaria em duas vozes. Se tivesse sido um pouco mais bem sucedida, veria Idols dividindo os versos entre “He” and “She”.

Luciana: Agradeço por isso não ter acontecido (ver: a música é mais sua do que “Push”). Imagina isso em “Glee”, que trágico.

Denis: Bate na madeira. (3x)

Após uma cuidadosa audição de “YOSLY” encerramos a discussão escutando “North”, o último disco do Matchbox Twenty, lançado em agosto de 2012. Te vemos daqui a 17 anos, “North”.

  1. Lista disponível em http://www.setlist.fm/stats/matchbox-twenty-6bd6b656.html []
Edição: Vol. 2 Nº 17 (mar/2013)
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Publicado em 5/03/2013, às 13:44.


Sobre Denis Pacheco

Denis Pacheco é um admirador de filmes adolescentes dos anos 80 e viagens no tempo. Seu encontro ideal seria um jantar com John Hughes em 1985, seguido de um show dos The Psychedelic Furs.

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