Jane Austen não é romântica

Darcy: “Não posso determinar a hora, ou local, ou olhar, ou palavras que montaram os alicerces. Foi há muito tempo. Eu estava no meio antes mesmo de saber que havia começado.”1

Amor romântico é um assunto de pesquisa científica um tanto curioso. Não apenas porque “pesquisa científica” costuma estar associada a “Física Quântica” – e não a “amor romântico” –, mas também porque é um daqueles assuntos que misturam Literatura e Neurociências.

Para a Literatura, amor romântico é um tema presente em incontáveis culturas (embora a questão da universalidade ainda seja motivo de discussão) e que tornou-se dominante no mundo Europeu (e Ocidental) a partir da Idade Média. Seu fortalecimento pode ser relacionado a religiões, com correntes que buscavam expressões “puras” do amor, e também a dinâmicas sociais que governam casamentos.

Em um estudo no âmbito da Literatura, Gottschall e Nordlund (2006, p.436) definiram o amor romântico como:

um sentimento expresso em um contexto romântico entre duas pessoas; ele tem uma dimensão de atração sexual, até desejo, mas não está limitado a isso; é uma emoção que é reservada tipicamente para apenas uma pessoa (embora amor romântico não seja necessariamente inconsistente com promiscuidade sexual); carrega a expectativa de longa duração; envolve intensa atração ao amado como um todo, e não apenas ao corpo.2

O lado das Neurociências vê no amor romântico um padrão de atividades cerebrais verificado por técnicas como a ressonância magnética (Bartels e Zeki, 2004, p.1155) – um padrão diferente do associado a relações de amizade, mas que tem algumas coisas em comum com o amor materno:

Ambos desativaram um conjunto comum de regiões associadas a emoções negativas, julgamento social e ‘mentalização’, isto é, a avaliação de intenções e emoções de outras pessoas.3

Assim, o amor romântico é um sentimento de tal intensidade que é capaz de afetar nosso julgamento – aquele amor que “vence todos os obstáculos” e serve de matéria-prima para filmes voltados ao público feminino.

Esse é o amor de “Dirty Dancing”, “Uma Linda Mulher” e “Sintonia de Amor”. É o amor de “Um Amor para Recordar”, “Diário de uma Paixão” e qualquer filme baseado em um livro do Nicholas Sparks.

Mas esse não é o amor de Jane Austen.

Essa ideia parece um pouco surpreendente no primeiro momento. Jane Austen, afinal, é uma das escritas preferidas das mulheres. Mesmo mulheres que não gostam muito de ler livros do século 19 não são imunes ao apelo de uma adaptação cinematográfica de “Orgulho e Preconceito”, ou de uma releitura como “As Patricinhas de Beverly Hills”. Os seis romances – romance entendido aqui como o gênero literário com narrativa em prosa – completos de Austen são mesmo a busca de um marido para sua heroína, mas nenhum casamento se sustenta no amor romântico.

Razão e Sensibilidade (1811)
O livro sobre as irmãs Elinor e Marianne Dashwood talvez mostre de forma mais clara a rejeição de Austen ao amor romântico para suas heroínas.

Marianne, a irmã romântica, envolve-se intensamente com Willoughby, o rapaz atraente e expansivo com quem compartilha interesses em poesia, música e arte. Willoughby também está genuinamente apaixonado Marianne, mas o relacionamento não se concretiza na forma de casamento: para manter seu conforto econômico, Willoughby se casa com uma jovem mais rica.

O sofrimento de Marianne após a rejeição é tal que ela quase sucumbe a uma enfermidade. Afinal, estudos recentes4 mostraram algo que qualquer pessoa apaixonada e rejeitada já sabia: a dor emocional do fim de um relacionamento é bastante similar à dor de um trauma físico.

Marianne só encontra a felicidade quando transforma em amor sua amizade e gratidão pelo Coronel Brandon. O coronel, 18 anos mais velho que Marianne, é recompensado por sua moral e perseverança.

A jornada da sensata Elinor à felicidade também teve seus obstáculos, mas foi bastante diferente daquela de sua irmã mais nova. Elinor ama Edward Ferrars, e sofre discretamente por saber que ele não pode corresponder.

Edward também sofre porque, apesar de amar Elinor, está comprometido com Lucy Steele. O noivado secreto foi firmado quando Edward era jovem e imprudente, mas o caráter de Edward o impede de romper o compromisso. No fim, Lucy troca o deserdado Edward pelo herdeiro Robert Ferrars – e só assim Elinor e Edward podem declarar seu amor mútuo.

A diferença entre as irmãs Dashwood e a aprovação de Austen ao comportamento da irmã mais jovem velha ficam claras em um diálogo entre as duas, após o fim do romance com Willoughby:

“Não estou lhe desejando muito bem”, disse Marianne enfim com um suspiro, “quando desejo que suas reflexões secretas não sejam mais desagradáveis que as minhas. Ele sofrerá o bastante com elas.”
“Você compara sua conduta com a dele?”
“Não. Eu a comparo com como ela deveria ter sido; eu a comparo com a sua.”5

Orgulho e preconceito (1813)
Bartels e Zeki (2004) concluem que a supressão da atividade cerebral ligada a emoções negativas e avaliação crítica faz com que os indivíduos apaixonados superem distâncias sociais6 – em outras palavras, que o dito “o amor é cego” pode ser mais científico do que imaginamos.

O amor entre a heroína Elizabeth Bennet e o honrado Fitzwilliam Darcy, afinal, superou uma enorme distância social. Mas esse amor nunca foi cego. A proposta de casamento que Darcy faz em Kent pode parecer impulsiva, mas a resposta de Lizzy mostra muito bem que o pretendente continuava consciente da disparidade social entre os dois:

Lizzy: “Eu poderia então perguntar”, respondeu ela, “por que, com uma intenção tão clara de me ofender e insultar, você decidiu me dizer que gostava de mim contra sua vontade, contra sua razão e contra o seu caráter?”7

Quando o final feliz chega para os dois, eles dividem um amor que cresceu gradualmente, à medida em que eles conheciam mais um sobre o outro. Ele aprende que os parentes de Lizzy em Cheapside não são vulgares como ele esperava, e ela aprende que o reservado e sóbrio Darcy é um homem honrado e afetuoso.

Em todo o livro, Lizzy mostra-se bastante racional quanto ao casamento – rejeitando a ideia de um relacionamento com Wickham, por quem havia se interessado, e compreendendo a situação do simpático Coronel Fitzwilliam, que confessou não ter liberdade para casar-se sem considerar a situação econômica da noiva. Talvez o momento mais passional de Lizzy ocorra quando ela lamenta o casamento de sua amiga Charlotte Lucas com o desagradável Sr. Collins. Charlotte explica que “não é romântica”, e que o caráter e situação do Sr. Collins são tudo o que ela precisa para a felicidade conjugal. Mas, como esperava Lizzy, a felicidade conjugal de Charlotte dependia também de manter o marido sempre ocupado e em outros cômodos da casa.

O relacionamento mais impetuoso do livro ocorre entre Lydia, a mais jovem e tola das cinco irmãs Bennet, e o repreensível Wickham. Após uma fuga que poderia desonrar toda a família, os dois se casam (com a interferência de Darcy), mas seguem com sua vida frívola e financeiramente instável.

Mansfield Park (1814)
O primeiro casamento insensato de Mansfield Park ocorre antes mesmo do nascimento da heroína: das três irmãs Ward, uma conquista o rico Sir Thomas Bertram, outra casa-se com o pastor religioso de Bertram e a terceira acaba com um marinheiro vulgar e tem mais filhos do que pode sustentar.

A jovem Fanny Price, protagonista do romance, é a filha mais velha dessa última irmã. Fanny é criada em Mansfield Park com seus primos ricos. Um dos primos Edmund, acaba tornando-se o objeto do afeto de Fanny, mas ele a trata como uma irmã. Até que, amadurecido após um romance mal-sucedido, Edmund vê seus sentimentos com relação a Fanny mudarem – de forma bastante morna:

O que poderia ser mais natural que a mudança? Amando-a, guiando-a, protegendo-a, como ele vinha fazendo desde que ela tinha dez anos de idade; a mente dela formada em grande parte pelo cuidado dele, e o conforto dela dependendo da bondade dele.8

Sir Thomas, que inicialmente tinha receios quanto ao relacionamento entre os primos, passou a aprovar a união de “dois jovens amigos encontrando consolo natural um no outro”. A estima de Sir Thomas por sua sobrinha também havia crescido bastante por considerá-la sensata, em comparação a suas filhas mimadas.

Em “Mansfield Park”, Austen novamente pune a impetuosidade. Maria Bertram destrói seu casamento com o rico Sr. Rushworth ao se entregar a sua paixonite pelo conquistador Henry Crawford.

O próprio Henry Crawford havia se apaixonado violentamente por Fanny, chegando a pedi-la em casamento apesar da inferioridade financeira da jovem. O sentimento de Henry era real e intenso, mas não foi suficiente para domar seu caráter.

Emma (1815)
Emma Woodhouse talvez tenha o amor mais romântico de todas as heroínas de Austen – mas ela é também a única heroína em situação social e econômica para tal. Na verdade, Emma é tão distraída com relação a obstáculos e interesses ligados a casamentos que tenta, em vão, encontrar um pretendente mais refinado para sua amiga Harriet – uma jovem com pouco a seu favor além de um rosto agradável.

Desde o início, o Sr. Knightley mostra-se favorável ao casamento de Harriet com o humilde fazendeiro Robert Martin:

Knightley: “Fiquei bastante satisfeito com tudo o que ele disse. Nunca ouvi mais juízo do que o de Robert Martin. Ele sempre fala com propósito; aberto, direto, e com bom julgamento. (…) É um jovem excelente, como filho e como irmão. Não hesitei em aconselhá-lo a casar-se”.9

Na época dessa proposta de casamento, Knightley é um homem sério de 37 anos, enquanto a jovem Emma, de apenas 20, ainda é uma garota mimada que orienta a amiga a rejeitar o pedido. Afinal, o sensato Sr. Martin perdia muito “quando era comparado a um cavalheiro”, pensava ela.

Emma tentou fazer com que o pároco Elton se apaixonasse por Harriet – ele sim parecia ser um cavalheiro! O Sr. Elton, no entanto, não correspondeu às expectativas nele depositadas. Seus planos de casamento eram voltados a uma noiva mais rica – e, rejeitado por Emma, ele preferiu casar-se com uma mulher vulgar, mas financeiramente superior.

Ao final do livro, Harriet encontra a felicidade no casamento sensato com o Sr. Martin, que renova seu pedido. Knightley novamente prevê o sucesso da união ao descrever Harriet como “uma garota ingênua e amável, com boas noções e bons princípios”. E Emma, desta vez, mostra que aprendeu sua “lição” e aprova o noivo da amiga:

Emma: “Penso que é muito bom para Harriet. As relações dela talvez sejam piores que as dele. Na respeitabilidade de caráter, não há dúvida de que são”.10

Amadurecida depois de suas tentativas casamenteiras frustradas, Emma também finalmente percebeu-se apaixonada por Knightley:

Há quanto tempo o Sr. Knightley vinha sendo tão querido para ela, como todos os seus sentimentos agora o afirmavam? (…) Ela viu que não houve momento algum em que não considerou o Sr. Knightley inifinitamente superior [a Frank Churchill], ou em que a estima dele por ela não tivesse sido infinitamente mais querida.11

A descoberta e a declaração de sentimentos entre Emma e Knightley é mais intensa do que a de outras heroínas de Austen. Mas o par é tudo, menos imprudente: Sr. Knightley, afinal, é um velho conhecido: vizinho de seu pai, cunhado de sua irmã e sua companhia constante, e ambos também pertencem a uma classe social superior.

Os sentimentos mostram-se mais intensos porque somente são expostos quando se sente o risco de perda: ele, por ciúmes de Frank Churchill; ela, por ciúmes de Harriet. Mas o apego mútuo vinha crescendo durante os muitos anos em que os dois conviveram. O casamento era tão desejado que mesmo o pai de Emma, receoso em deixar mais uma filha partir, o aprovou.

A abadia de Northanger (1817)
Catherine Morland é mais ingênua e tola que Elinor, Lizzy ou Fanny. Catherine, aliás, é apresentada de forma bastante modesta por Austen – de acordo com o tom de sátira de novelas góticas do livro. E o casamento de Catherine e Henry Tilney não foi dos mais prudentes entre as obras de Austen.

Mesmo assim, é difícil encontrar pistas de qualquer tipo de passionalidade entre os dois.

Desde o primeiro encontro, Catherine mostra-se genuinamente encantada por Henry Tilney, a ponto de se esforçar para aproximar-se da família dele e de recusar os interesses de um amigo de seu irmão. Mas Catherine e Henry não mostram nenhum grau especial de intimidade, mesmo quando ela se hospeda na propriedade da família Tilney. Na maior parte do tempo, Henry trata Catherine com atenções parecidas às que ele destina a sua irmã Eleanor.

O pedido de casamento feito por Henry é apressado, após Catherine ter sido praticamente expulsa da abadia de Northanger pelo General Tilney, pai de Henry e Eleanor. O coronel havia convidado Catherine para sua casa acreditando que a situação social e financeira da jovem era melhor do que a real – e a mandou embora quando passou a acreditar que ela era praticamente miserável.

Foi a indelicadeza do General que levou Henry a declarar-se para Catherine:

A indignação de Henry ao ouvir como Catherine havia sido tratada, ao ser informado sobre as opiniões de seu pai e ordenado a concordar com elas, foi aberta e forte. (…) A raiva [do General], que deve ter sido por choque, não foi capaz de intimidar Henry, que
que foi sustentado em seu propósito pela convicção de sua justiça. Ele sentiu-se obrigado, tanto em honra como em afeição, à srta. Morland.12

Nordlund (2007) decompõe o amor em três etapas: a disposição emocional, a emoção concreta e a expressão na forma de ação13. A disposição de Catherine e Henry existiam em sua índole, mas apenas Catherine mostrou emoções mais fortes com relação a Henry, e nenhuma ação foi tomada. O próprio casamento, concordado entre os jovens, só veio a ocorrer após a aprovação do General, autorizando seu filho a ser “um tolo, se assim o desejar”.

Persuasão (1817)
A jornada de Anne Elliot tem elementos de Marianne e de Elinor Dashwood. Aos 19 anos, a bela Anne se apaixonou pelo capitão Frederick Wentworth – mas o relacionamento foi encerrado a conselho de uma confidente de Anne.

Os dois se reencontram quando Anne, ainda solteira, já tem 27 anos. Agora, Wentworth encontrou sucesso na marinha e está em situação bastante superior, enquanto a família Elliot sofre com os gastos irresponsáveis do patriarca.

Inicialmente, Anne parece estar sendo punida por sua prudência. A decisão de afastar-se de Wentworth oito anos antes parece ter sido das mais erradas: não só a situação financeira se inverteu, como Anne também continua sofrendo por causa de seus sentimentos pelo oficial. Para piorar, Wentworth dá preferência a uma jovem mais espontânea e determinada, Louisa Musgrove.

Mas a impetuosidade de Louisa é que é realmente punida: ela decide subir novamente os degraus do muro do porto, de onde cai. A garota é resgatada desacordada, e a calma Anne ajuda com os primeiros cuidados. A comparação entre as duas renova a afeição de Wentworth pela srta. Elliot.

Ele não se afeiçoara, não poderia ter se afeiçoado por Louisa; embora até aquele dia, até o momento de reflexão que o seguiu, ele não havia entendido a excelência de mente perfeita com a qual Louisa mal poderia ser comparada (…). Lá ele aprendeu a distinguir entre a firmeza de princípios e a obstinação; entre as ousadias negligentes e a resolução de uma mente calma.14

Novamente, não há dúvidas sobre os sentimentos entre o casal. Anne genuinamente ama Wentworth, e ele verdadeiramente corresponde. Mas o final feliz resulta de uma união consciente. Anne não entrega-se ao amor romântico quando o objeto de seu afeto ainda precisava construir sua condição social, e é recompensada pela renovação do amor, em situação mais privilegiada, pela mesma prudência que exibiu na juventude.

O amor, segundo Jane Austen
Acevedo e Aron (2009) defendem que é possível que o amor romântico sobreviva aos anos, mesmo que de forma menos obsessiva15. Já Klusmann (2002) vê queda da atividade e satisfação sexual (representando certo esfriamento) em relacionamentos mais longos – o que não seria surpreendente porque “a maior parte das atividades humanas estão sujeitas a enfartamento quando realizadas com muita frequência por muito tempo”16.

Entendendo o amor romântico – intenso e cego – como um comportamento biológico, as similaridades do amor romântico com o amor materno17 podem indicar que são comportamentos voltados à manutenção da espécie. O amor romântico humano também tem similaridades com os processos de atração e acasalamento de outras espécies de mamíferos18.

Assim, a duração desse amor poderia ser relacionada às necessidades biológicas e evolutivas19. Isso explicaria por que a fase mais apaixonada de um relacionamento não dura muito mais do que os meses necessários para o nascimento de nossos herdeiros.

E o que ocorreria com a felicidade conjugal após esses meses, se o relacionamento tivesse como fundação esse amor romântico e sem juízo?

Uma situação recorrente das heroínas de Jane Austen é a limitação social ou financeira que força a necessidade de um casamento vantajoso. Nenhuma delas escolhe ou aceita o noivo apenas por esse motivo, mas Elinor Dashwood, Lizzy Bennet e Annie Elliot entendem que considerações racionais são motivo para recusar uma proposta.

No entanto, uma heroína de Austen não se casaria com um Sr. Colins, mesmo temendo por sua estabilidade financeira. Isso também segue uma lógica bem exposta pelo Sr. Bennet:

Mr. Bennet: “Eu conheço seu temperamento, Lizzy. Eu sei que você não poderia ser feliz ou respeitável, a não ser que verdadeiramente estime seu marido.”20

O amor de Jane Austen não é romântico. Ele premia jovens sensatos com casamentos prudentes e felicidade duradoura. O amor romântico é reservado a sofridas lições para as heroínas, ou é motivo de degradação de personagens menos queridos.

Austen busca o final feliz que vai além do último parágrafo, e duvida que isso possa ser conquistado por quem é dominado por seus sentimentos.

  1. Austen, J. “Orgulho e Preconceito”, capítulo 60 []
  2. Gottschall, J.; Nordlund, M. “Romantic love: a literary universal?” In: Philosophy and Literature, 2006, 30: 432–452 []
  3. Bartels, A.; Zeki, S. “The neural correlates of maternal and romantic love”. In: NeuroImage, 2004, 21: 1155–1166 []
  4. Kross, E. et al. “Social rejection shares somatosensory representations with physical pain”. In: PNAS, 2011, vol. 108, nº. 15: 6270–6275 []
  5. Austen, J. “Razão e Sensibilidade”, capítulo 46 []
  6. Bartels, A.; Zeki, S. “The neural correlates of maternal and romantic love”. In: NeuroImage, 2004, 21: 1155–1166 []
  7. Austen, J. “Orgulho e Preconceito”, capítulo 34 []
  8. Austen, J. “Mansfield Park”, capítulo 48 []
  9. Austen, J. “Emma”, capítulo 8 []
  10. Austen, J. “Emma”, capítulo 54 []
  11. Austen, J. “Emma”, capítulo 47 []
  12. Austen, J. “A abadia de Northanger”, capítulo 30 []
  13. Nordlund, M. “Shakespeare and the nature of love: literature, culture, evolution”. Northwestern University Press, 2007 []
  14. Austen, J. “Persuasão”, capítulo 23 []
  15. Acevedo, B; Aron, A. “Does a Long-Term Relationship Kill Romantic Love?” In: Review of General Psychology, 2009, vol. 13, nº. 1: 59–65 []
  16. Klusmann, D. “Sexual Motivation and the Duration of Partnership”. In: Archives of Sexual Behaviour, 2002, vol. 31, nº. 3: 257–287 []
  17. Bartels, A.; Zeki, S. “The neural correlates of maternal and romantic love”. In: NeuroImage, 2004, 21: 1155–1166 []
  18. Fischer, H. et al. “Romantic love: a mammalian brainsystem for mate choice”. In: Philosophical Transactions of the Royal Society B, 2006, 361: 2173–2186 []
  19. Malakh-Pines, A. “Falling in love: why we choose the lovers we choose”. Routledge, 1999 []
  20. Austen, J. “Orgulho e Preconceito”, capítulo 59 []
Edição: Vol. 1 Nº 5 (abr/2011)
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Publicado em 18/04/2011, às 8:01.


Sobre Lhys

Lhys lê e-mails compulsivamente e não conhece o significado de TMI. É formada em jornalismo e tem mestrado em Ciências da Comunicação. Mas não se iluda com o título: sua principal função é assistir TV e defender a arte esquecida das boybands. De vez em quando, assina como Luciana Silveira.

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5 comentários sobre Jane Austen não é romântica

  1. Tava pensando aqui não é que ela não seja romântica. Ela não é fria como Charlotte, mas não é estouvada como a irmã. Acho que Jane Austen na verdade prega um amor mais sensato do que o amor romântico, que está muito mais próximo do conceito de paixão do que o amor propriamente dito (ao menos no meu universo). Para ela, o amor só vem quando atrelado a determinados atributos. Além disso, ele não se esvai. Não é um dá cá aquela palha que justifica um rompimento, muito pelo contrário: no universo da Jane Austem rompimentos normalmente fazem com que os personagens entendam a importância do outro e a perenidade do sentimento.
    Adorei o post, viu?

  2. Pulei Mansfield Park e Northanger Abbey, que ainda não li, e Persuasão, que estou lendo, mas concordo bastante com o seu texto. É notável essa constante oposição entre a irmã impulsiva e a irmã racional, a menina que se joga com tudo e a que fica com o pé atrás.
    Seria interessante também falar sobre a história da própria Jane, que queria se casar apaixonada, mas por questões financeiras acabou perdendo o noivo. Teve que se contentar com os casamentos de suas personagens, tão racionais e tão cautelosas como ela, mas com as condições que ela tanto queria para ser feliz, isto é, dinheiro, sorte e situação.

  3. Prezada Luciana,

    Eu gostaria de pedir a sua permissão para reproduzir seu texto em uma revista sobre Jane Austen aqui no Brasil. Sou presidente da Sociedade Jane Austen do Brasil e gostaria de corresponder com você por e-mail (adriana@jasbra.com.br).

    Obrigada por sua atenção!

    Adriana Zardini
    http://www.janeaustenbrasil.com.br

    Ps. Adoro a série Fringe!

  4. Jane

    Luciana, tudo bem?

    Gostei muito de sua análise!
    Realmente Jane Austen (minha xará rsrsrs) era ultra vanguardista, e não se limitava as amarras convencionais de seu tempo.
    Sua visão era muito mais moderna e consciente do que muitas mulheres de hoje em dia, que acham símbolos de modernidade a futilidade e vulgaridade.
    Parabéns!!!

  5. Natália

    No meu ver, o amor não precisa vim sempre da mesma forma. Sou uma romântica incurável e já li vários romances. E eles começam de jeitos diferentes, nem todos iniciam com a paixão cega que você descreveu. Pra mim o amor escolhe a forma que ele vem e não a ciência com seus neurônios e afins. E, elogio sua materia, foi bem complexa, mas vista por olhos não emocionais. A ciência é a ciência, mas não vamos criar padrões ao amor. Sabemos que nenhum de nós é capaz.

    É isso! :) Obrigada!